FIGURAS ILUSTRES

Prof. Doutor Queiroz Veloso (1860-1952)
José Maria de Queiroz Veloso nasceu em Barcelos, a 26 de Agosto de 1860, tendo falecido em Lisboa em 31 de Outubro de 1952.
É no Porto que realiza os seus estudos secundários, formando-se na mesma cidade na Escola Médico-Cirúrgica, corria o ano de 1884.
Cedo abandonou o exercício da Medicina, vindo a dedicar-se à actividade jornalística, passando por periódicos como a Folha Nova, A Província, de Oliveira Martins, Novidades, o Repórter, e o Tempo. Para além de Oliveira Martins, Queiroz Veloso priva com Antero de Quental, Eça de Queirós e Guerra Junqueiro.

Ainda antes da instauração da República, interessa-se pela actividade política, passando pelo Partido Regenerador e exercendo funções como Governador Civil de Viana do Castelo e como parlamentar.
Será, no entanto, no ensino que encontra o ambiente mais propício para os seus dotes de investigador e historiógrafo.

Começa pelo ensino secundário, ingressando em 1896 no corpo docente do Liceu de Évora. No burgo eborense desempenhará, ainda, as funções de Director da Escola de Habilitação para o Magistério Primário e da Biblioteca Pública.
 

Quando o Curso Superior de letras foi transformado em escola de habilitação para o magistério secundário, com a reforma de 24 de Dezembro de 1901, Queiroz Veloso foi encarregado de reger História da Pedagogia. Em 1910, após o falecimento de Consiglieri Pedroso, Queiroz Veloso assume a direcção deste conceituado estabelecimento de ensino, cargo que, depois, exercerá na Faculdade de Letras, criada com a reforma republicana. Ocupará ainda outros cargos, caso de Vice-Reitor da Universidade Clássica de Lisboa, Chefe da Repartição do Ensino Secundário, Superior e Especial, e Director-Geral do Ensino Superior. Sendo jubilado em 1930, dedica-se, a partir de então, a uma intensa actividade de investigação historiográfica, paixão que já o arrebatara havia alguns anos.

A atenção que prestou às relações entre os dois países ibéricos levou-o por dezasseis vezes a Espanha, onde realizou aturadas pesquisas no Ministério dos Assuntos Exteriores, no Arquivo Histórico de Madrid e no Arquivo geral de Simancas.
Entre muitas outras, publicou as seguintes obras, algumas delas com várias reedições:

Gil Vicente e a Sua Obra, 1914.
O Arquivo Geral de Simancas, Sua Importância Capital para a História Portuguesa, 1923.
A Dominação Filipina, 1930.
D. Sebastião (1554-1578), 1935.
A Naturalidade de Fernão de Magalhães - Certezas e Conjecturas, 1936.
Gil Vicente, Poeta e Ourives, 1936.
Fernão de Magalhães - A Vida e a Viagem, 1941.
No Centenário de Oliveira Martins - O Historiador, 1945.
A Universidade de Évora - Elementos para a sua História, 1949.
A Expansão Portuguesa, 1949.
Estudos Históricos do Século XVI, 1950.

Olivença foi uma das suas grandes preocupações. A ela dedicou uma parte significativa das suas profundas investigações, para além de ter sido um dos primeiros membros do patriótico Grupo dos Amigos de Olivença. Na «Lista dos 40 Sócios Fundadores do Grupo dos Amigos de Olivença» datada de 10 de Novembro de 1958, Queiroz Veloso encontrava-se em 11º lugar.
Deve-se ao eminente historiador a mais completa obra sobre a história da perda e da tentativa de recuperação do Território de Olivença escrita até hoje, tendo-lhe cabido o mérito de trazer à luz do público um grande manancial de documentos diplomáticos até então ignorados e de difícil acesso face à conveniência dos ministérios dos negócios estrangeiros de ambos os países em impedirem a sua divulgação, por razão da especiosidade que o Litígio Fronteiriço de Olivença constituía na altura em que empreendeu as suas investigações.
Assim, em 1932, dava à estampa a primeira edição da obra Como perdemos Olivença, pela casa livreira de Ventura Ledesma Abrantes, compilando as suas lições proferidas a 14, 18 e 21 de Junho do mesmo ano. Desta obra se fez uma segunda edição em 1939, pela Academia das Ciências de Lisboa.


 

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