FIGURAS ILUSTRES

Ventura Ledesma Abrantes (1883-1956)
Ventura Ledesma Abrantes foi uma daquelas raras figuras de patriota que a uma causa dedicou toda a sua alma, quiçá, a sua própria vida: a recuperação para Portugal da sua Olivença natal.
Seu pai, barbeiro na Vila de Olivença, era filho de uma portuguesa, natural de Torre das Vargens, que emigrara para Espanha, casando em Barcarrota (Província de Badajoz) e fixando-se mais tarde em Olivença, mas sem nunca abandonar a nostalgia da sua doce terra alentejana.
É, pois, a avó paterna de Ventura Ledesma que instiga o idealismo irredentista no espírito da família Abrantes.
Desde muito jovem que Ventura Abrantes se habitua a frequentar as terras alentejanas da raia. Contacta com as suas gentes, nutre amizades.

Pela sua posição pró-portuguesa os Abrantes são malquistos pelas autoridades oliventinas. Não se fazem esperar represálias e a família toma a decisão de se deslocar definitivamente para Lisboa.
Uma vez na sua Pátria de eleição, livre dos atropelos e dos vexames a que tinha sido sujeito na sua própria terra, o seu espírito irrequieto e voluntarioso condu-lo à fundação sucessiva de diversas instituições beneméritas, de utilidade pública e social.
 

É assim que o seu nome aparece ligado à criação em 1912 da Universidade Livre de Lisboa, obra de Reinaldo Ferreira. Segue-se a Lutuosa Nacional com sede no Porto. A ele, entre outros, se deve a abertura em 1931 da primeira Feira do Livro de Lisboa, para o que, certamente, não seria alheio o facto de ele próprio ser o Presidente da Associação da Classe de Livreiros de Portugal (embrião da actual A. P. E. L.).

Ainda na década de 30 é nomeado representante de Portugal nas Exposições Livreiras de Sevilha, Barcelona e Florença.
Abre na Rua do Alecrim, 80-82 a Livraria Oliventina e a Casa Editora Ventura Abrantes, estimulando uma das tertúlias mais animadas do cosmopolita Chiado onde pontificavam Teófilo Braga, António Sardinha e Egas Moniz. Edita obras de grande fôlego como o "In Memoriam" de Camilo Castelo Branco, "A Vida e Obra de Júlio Dinis" e a "Vida Sexual" ambos do seu amigo Prof. Doutor Egas Moniz ou o emblemático "Como Perdemos Olivença" do Prof. Doutor Queiroz Veloso entre outras.

Visto como uma personalidade algo singular, culto e activo, Ventura Abrantes viria ainda a ser admitido na selectiva Sociedade de Geografia de Lisboa, publicando na sua conceituada revista alguns trabalhos científicos sobre Olivença.
Sob a sua égide é fundada nesta Sociedade a Sub-secção de Estudos Históricos de Olivença. Além de publicista de mérito, colaborou assiduamente em jornais e revistas de Lisboa e Porto muitas vezes sob o pseudónimo de João Coelho.
Mas, seria, indubitavelmente, a sua paixão pela famigerada "Questão de Olivença" que o levaria à fundação do Grupo dos Amigos de Olivença (15 de Agosto de 1938) juntamente com o então Tenente Humberto Delgado, Amadeu Rodrigues Pires e Francisco de Sousa Lamy. 
A personagem de Ventura Ledesma Abrantes ainda hoje sobrevive no espírito e no ideal do Grupo dos Amigos de Olivença. Figura pitoresca dos meios intelectuais da capital, onde se movia com grande desenvoltura e aceitação, consagrou parte da sua fortuna e da sua actividade de livreiro e editor à divulgação e estudo de Olivença num País que se havia desinteressado ou simplesmente resignado à posse daqueles 750 Km² de território legitimamente seu.

Para o efeito leccionou, escreveu e fez publicar uma quantidade invulgar de material bibliográfico abordando as mais variadas temáticas oliventinas. Hoje, esses documentos, alguns deles bastante valiosos para o estudo etnográfico e histórico do burgo oliventino, encontram-se raramente nalguma estante de alfarrabista.
O seu portuguesismo era de tal forma arreigado que, intercedendo junto do Ministro da Justiça de então, Dr. Cavaleiro Ferreira, consegue que seja concedida pelo Estado Português a cidadania portuguesa a todos os Oliventinos que o solicitem, sendo-lhes para isso averbado no respectivo Bilhete de Identidade a menção de "Português de Olivença".
Ventura Ledesma Abrantes faleceu na sua residência do Estoril, sita na Travessa de Olivença em 12 de Junho de 1956. Tinha 73 anos de idade.


 

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