PELO CONCELHO DE OLIVENÇA
 

A Vila de Olivença
  Táliga
    S. Jorge de Alôr
      S. Domingos de Gusmão
        S. Bento da Contenda
          Vila Real
            S. Rafael e S. Francisco de Olivença


Vila de Olivença

Monumentos

1. A Vila Medieval e o Castelo:
A zona histórica de Olivença reproduz a estrutura original das bastides, um quadrilátero com quatro portas cortado por duas ruas perpendiculares que se cruzam no centro. Todo o conjunto situa-se, orgulhosamente como cunha portuguesa sobre o território do país vizinho.
As primeiras edificações da urbe ter-se-ão iniciado sob o senhorio de Pêro Lourenço do Rego em 1306. A partir de 1309 a Ordem de Avis deu às obras o impulso definitivo com as rendas da igreja de Santa Maria.
Cercado de muros de 3 m. de largura e 12 de altura, o conjunto tinha um total de 14 torres, sendo a albarrã a do ângulo mais saliente. Em cada pano se abria-se uma porta, protegida por maciços torreões, de que subsistem as de Alconchel e dos Anjos.
Em 1334 o rei D. Afonso IV inicia a construção desse elemento característico do urbanismo meridional que é o alcácer, recinto fortificado dentro das muralhas, em cujo centro se implantou a altaneira torre de menagem.
Mas será D. João II, em 1488, que dá uma nova fisionomia ao conjunto. Apesar dos pactos de pacificação subscritos com os Reis Católicos, o Príncipe Perfeito levanta em Olivença a mais alta torre de toda a fronteira: 37 m. de altura. Construída em alvenaria reforçada por silhares nos ângulos, acede-se ao terraço da Torre de Menagem  através de 17 rampas. Uma barbacã, protegida por um fosso inundável, rodeada por completo o alcácer oliventino. Dela deixou Duarte d'Armas, em 1509, um precioso testemunho gráfico no famoso Livro das Fortalezas.
No interior do alcácer e na anexa Padaria do Rei (séc. XVIII) encontra-se hoje o Museu Etnográfico.

2. A Praça Central:
A torre do relógio é de finais do sec. XV. Na fachada das Casas Consistoriais destaca-se o portal Manuelino. Em frente, uma reconstituição moderna do "pelourinho”.
 
3. Igreja da Madalena:
A sua construção é de princípios do sec. XVI, impulsionada pelo primeiro Bispo de Ceuta, com residência em Olivença, Frei Henrique de Coimbra, companheiro de Cabral no descobrimento do Brasil. O templo, autêntica obra prima do estilo manuelino, supera em beleza e monumentalidade os modelos em que se inspirou: Convento de Jesus de Setúbal e a Sé de Elvas.
No exterior destacam-se as falsas ameias, pináculos, gárgulas, portas laterais e a principal - um acrescento renascentista -, atribuída a Nicolau Chanterenne.
Mas o que mais surpreende é seu interior, amplo, robusto e sensual, dividido em três naves por oito formidáveis colunas torças, como cordame de um navio. Boytac, ou talvez Diogo ou Francisco de Arruda, foram os criadores deste espaço mágico onde o espírito se sente irresistivelmente envolvido.

4. Igreja da Misericórdia:
A Irmandade foi criada em 20 de Novembro de 1501. Dez anos depois receba a rica herança do Padre Fernando Afonso, p qual deixou em testamento a criação de um hospital para "dar de comer aos pobres e órfãos e viúvas, e administrar aos doentes e enfermos as cosas de sua necessidade". A partir desta data, as doações sucederam-se sen interrupção. A Misericórdia converteu-se na primeira proprietária de prédios, tanto rústicos como urbanos, do termo.
A Irmandade a principio não teve sede própria, pelo que em 1520 o Rei ordenou que  se instalasse na Ermida do Espírito Santo, frente à Porta dos Anjos. As primeiras obras iniciaram-se em 1548 e prosseguiram por todo o século, tomando a igreja a sua fisionomia actual só em 1732. A capela, de uma só nave, está toda forrada no seu interior com azulejos barrocos de Manuel dos Santos, representando as obras de Misericórdia.
Presentemente, a Misericórdia mantém-se como asilo de anciãos.

5. Convento das Clarissas ou de S. João de Deus:
O convento das clarissas foi construído enter 1556 e1631. Com a Guerra da Restauração, as monjas abandonaram o mosteiro, destinado então a Hospital Militar e assistido pelos Irmãos de S. João de Deus, desde 1641 até 1801. Com a usurpação de Olivença, os «carabineros» e a «Guardia Civil» ocuparam o edifício até aos nossos dias, sendo presentemente sede de um centro cultural e da Escola de Teatro e Dança.

6. Santa Maria do Castelo:
Na capela do Evangelho, pode admirar-se o mais surpreendente retábulo de Olivença, dos poucos conservados no seu género. Em madeira talhada e policroma está figurada uma árvore com 15 m. de altura. Sob as suas raízes descansa Jessé, o pai de David. Dele, nasce um tronco robusto com seis ramos sobre os quais surgem as figuras dos doze reis da sua Casa. A árvore remata com a imagem de Maria e Menino.
 
7. Fortificações Abaluartadas:
Com a Guerra da Restauração em agitado pano de fundo (1640-1668), a sua construção foi lenta e intermitente. Matias de Albuquerque traçou o ambicioso desenho  - com nove baluartes e duas portas – continuadas por Nicolau de Langres, João Gillot e o jesuíta João Ciermans (Cosmander). Em linhas gerais, as fortificações oliventinas correspondem ao primeiro dos sistemas formulados por Vauban.
No séc. XVIII, os engenheiros portugueses introduziram uma série de reformas e melhoramentos, como o desaparecido forte de S. João, um baluarte a cavaleiro das Portas do Calvário, a ornamentação destas portas com mármore e a abertura das chamadas Portas Novas, a construção de revelins e praças de armas, etc. A finais do século, contudo, a situação era de abandono, não conseguindo impedir a rendição incondicional de 1801.

8. Quartéis:
Obras complementares das fortificações abaluartadas foram o paiol de Santa Bárbara, os corpos de guarda das portas e os quartéis.
O da Independência ou do Assento, chamado também Padaria do Rei, dispunha de tudo o necessário para fabricar 10.000 pães diários. As chaminés cilíndricas dos seus quatro fornos sobressaem ainda airosas. O Quartel do Poço, muito alterado, albergava 200 homens de infantaria.
No baluarte do Príncipe encontra-se o Quartel de Cavalaria, sede do Regimento Dragões de Olivença, para 12 companhias com 40 cavalos cada uma. Janelas simétricas em mármore harmonizam uma extensa fachada onde predomina a horizontalidade. Em frente encontra-se o Quartel de S. Carlos, outrora armazéns de palha para as cavalarias cujas volumes são acentuados pelos contrafortes. Todos estes edifícios militares apresentam linhas sóbrias ao gosto neoclássico

Gastronomia
Possuidora de uma gastronomia similar a todo o Alentejo, Olivença apresenta-nos o gaspacho, as migas, o cozido, sopas de cação, caldeirada de peixe, e, nos doces, pintainhas, apinhoada, bolo podre, ovos moles, jesuítas, cintos, raivinhas, cavacas, assobias e a famosa Técula Mécula, um dos mais elaborados doces conventuais portugueses

Festas
CAVALGADA DOS REIS MAGOS (5 de Janeiro).
CARNAVAL.
SEMANA SANTA. A herança portuguesa permanece com a celebração do Domingo de Passos e com o Santo Enterro da Irmandade da Misericórdia, a chamada "procissão das bandeiras".
AS MAIAS (Maio). Festa da primavera. Baila-se em redor de uma menina vestida de branco e adornada com flores silvestres.
FESTAS DE S. JOÃO (23 de Junho). Os moradores exibem à porta de suas casas altares alegóricos. Baila-se à volta das fogueiras.
SANTA LUZIA (22 de Dezembro). No adro da Madalena, depois da missa canta-se e baila-se em redor de um grande lume.



Táliga
 Sob administração espanhola, foi destacada de Olivença e constituída em «ayuntamiento» próprio. Tem cerca de 800 habitantes. Também fundada pelos templários e sempre pertencente ao concelho de Olivença, foi ocupada por Espanha em 1801.
A sua construção de maior relevo é a igreja paroquial da Assunção, coroando a atraente praça de configuração irregular que ocupa um dos extremos da povoação. A sua arquitectura revela os traços bem portugueses que, como todo o território, a distinguem da Extremadura.
O templo, de modestas proporções, de alvenaria caiada, cunhais de cantaria e torre de um só corpo e pouca altura que encaixa de forma não habitual na nave. Na zona superior da torre abrem-se campanários, rematados com um capitel. Na fachada apresenta portal oitocentista de desenho português. No interior, uma nave única de cabeceira plana e abobado de aresta. Do lado da Epístola desenvolve-se um conjunto de capelas.

Festas
ROMARIA (último sábado de Maio) a Nossa Senhora dos Santos.
NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO (29 de Setembro). Festas da Padroeira, gozam de grande fama, com grande afluência de gentes vindas de muitas povoações vizinhas.



S. Jorge De Alôr
A 5 km em direcção a SE, a aldeia de S. Jorge de Alôr constitui um núcleo urbano de muito interesse pela personalidade que lhe conferem as suas monumentais chaminés. Depois de Táliga, é a maior das aldeias de Olivença.
Assentada no sopé da Serra de Alôr, a 5 km. da Vila, constitui um conjunto marcadamente rural, com a fisionomia tradicional pouco alterada, destacando-se a sua arquitectura popular portuguesa.
O centro do povoado e sua construção mais destacada é a igreja paroquial de S. Jorge, obra do século XVIII. De pequenas proporções e endossada a outros edifícios, é em alvenaria caiada. O seu singelo portal é de desenho claramente popular, com triplo campanário. Interiormente, compõe-se de átrio de acesso, nave de três corpos, cruzeiro com abobado de aresta, cabeceira quadrangular e três grandes capelas anexas. Como sempre, a sua arquitectura espelha as formas populares portuguesas.
A meio caminho de Olivença encontra-se a ermida de Nossa Sra. das Neves, cujas festas se celebram em 5 de Agosto. Sobre ela existe uma encantadora lenda que relata a história do pequeno Joaquim que, perdido no campo, a Virgem protegeu durante a noite.



S. Domingos De Gusmão
Localiza-se a pouca distância de S. Jorge, também nas vertentes da Serra de Alôr. Com cerca de meia centena de casas e 130 habitantes, constitui a menor das aldeias oliventinas.
Oferece-nos a igreja paroquial de S. Domingos de Gusmão, pequena edificação caiada de carácter popular, do século XVII, com aspecto de ermida rural. A fachada ostenta um grande pórtico de severa estrutura em mármore e duplo campanário. A planta é de uma nave com abóbada de simples e cabeceira quadrangular de cruzeiro. As capelas e demais dependências anexadas a corpo principal originam um conjunto de variados volumes e acertada composição. Uma pequena cúpula em chaminé destaca-se sobre a cobertura. O seu encanto principal resulta da sua característica arquitectura popular tradicional de acento totalmente português.



S. Bento da Contenda
Próxima das anteriores, ao sul de Olivença, com perto de 500 habitantes. Segundo várias versões o seu nome deriva das permanentes disputas em que se envolvia com povoados castelhanos vizinhos. Outra interpretação liga o nome ao topónimo que designa os campos em que assenta.
Como nas restantes aldeias, o património mais significativo é a igreja paroquial, dedicada a S. Bento, também de acusada influência portuguesa, mais parecendo uma ermida, dadas as suas reduzidas proporções e os traços populares da sua arquitectura. Na fachada frontal um atraente pórtico, sob o qual chama a atenção a preciosa porta trilobada. O interior é uma nave única, abobadada, e cabeceia quadrangular. Sobre a porta figura a data de 1788. Constitui um conjunto de arquitectura popular de notável valor etnográfico.



Vila Real
Situada sobre o Guadiana, frente às povoações fortificadas de Juromenha e Alandroal. Historicamente pertencia não a Olivença, mas sim a Juromenha. Com a usurpação de Olivença, até à margem do grande rio, a povoação foi igualmente anexada por Espanha.
A paróquia é dedicada Nossa Sra. da Assunção. O templo é uma construção caiada de reduzidas proporções e arquitectura simples, semelhante igualmente a uma ermida. Planta rectangular, abobadada, cabeceira rectangular e cupulada, sacristia e capela baptismal anexa. Na estrada de acesso localiza-se a ermida de Sant’Ana, de modesta fábrica, rural.



S. Rafael e S. Francisco De Olivença
«Poblados de colonización» criados em 1956, na sequência da construção da barragem de Pedra Aguda e do plano de regadio.

 

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